IA generativa pra fotos de produtos: funciona de verdade?
Faz uns meses que comecei a testar ferramentas de IA generativa pra produção de fotos de produtos. E preciso admitir: fiquei impressionado com algumas coisas e decepcionado com outras.
Vou contar o que funciona, o que não funciona e um caso real que a gente trabalhou com uma fábrica de calçados aqui no Rio Grande do Sul.
O que a IA consegue fazer hoje
A parte que mais evoluiu é a troca de fundo. Ferramentas como o Photoroom, o Pixelcut e até o próprio removedor de fundo do Canva fazem um trabalho que há 2 anos exigia um designer com Photoshop. Você sobe a foto do produto tirada em qualquer lugar e em segundos tem ela em fundo branco, ou num cenário de lifestyle.
E não é só fundo branco. Dá pra colocar o produto em cenários contextuais — um tênis numa trilha, uma bolsa numa mesa de café, um relógio num punho. O Midjourney e o DALL-E 3 geram esses cenários, e com ferramentas como o Flair.ai você posiciona o produto real dentro da cena gerada.
O resultado? Uns 70% das vezes fica bom o suficiente pra usar em marketplace e redes sociais. Pra catálogo premium ou campanha publicitária, ainda precisa de ajuste humano.
O caso da fábrica de calçados
Esse é um caso que me ensinou bastante. Uma fábrica de calçados femininos de Novo Hamburgo produzia cerca de 120 modelos novos por temporada. Pra cada modelo, precisavam de 4-5 fotos: produto isolado, detalhe do material, calçado no pé, e fotos estilizadas pra redes sociais.
Antes, o processo era assim: separava as amostras, agendava estúdio, contratava modelo pra fotos calçadas, fotografava tudo em 2-3 dias de produção, editava por mais uma semana. Custo médio por temporada: em torno de R$ 18 mil, fora o tempo.
A gente propôs um fluxo híbrido. O time interno fotografava os calçados com celular numa mini caixa de luz — essa parte é rápida, uns 3 minutos por modelo. Aí usamos IA pra três coisas: remover e trocar fundo, gerar variações de cor digitalmente e colocar os calçados em pés gerados por IA.
Os resultados
O custo por temporada caiu pra cerca de R$ 4 mil (assinaturas das ferramentas + tempo do pessoal interno). O tempo de produção do catálogo saiu de 3 semanas pra 5 dias.
Mas — e isso é importante — nem tudo funcionou de primeira.
As fotos de calçado no pé geradas por IA ficavam estranhas. Os dedos às vezes vinham com proporções bizarras, o encaixe do calçado no pé não ficava natural. A gente testou várias abordagens e o que funcionou melhor foi fotografar o calçado real num pé real (alguém do escritório mesmo) e usar a IA só pra trocar o fundo e ajustar a iluminação.
Já a variação de cor funcionou surpreendentemente bem. O modelo existia em preto e a fábrica queria mostrar como ficaria em marrom, nude e vermelho. Com o Photoshop generativo, o resultado ficou convincente em 80% dos casos.
Ferramentas que eu recomendo
Pra remoção de fundo: Photoroom. É o melhor que testei pra produtos, especialmente calçados e acessórios que têm bordas complicadas. A versão gratuita já ajuda bastante.
Pra cenários de lifestyle: Flair.ai pra quem quer algo prático, Midjourney pra quem quer mais controle criativo. O Midjourney exige mais habilidade com prompts mas os resultados são superiores.
Pra edição e variação de cor: Adobe Firefly integrado no Photoshop. Sim, precisa de assinatura da Adobe, mas se você produz conteúdo visual regularmente, vale cada centavo dos R$ 110/mês.
Pra modelos virtuais: aqui é onde eu tenho mais ressalvas. O Botika e o Zmo.ai prometem colocar roupas em modelos gerados por IA. Funciona razoavelmente pra roupas simples como camisetas, mas pra peças com caimento complexo — vestidos, blazers, calças — o resultado ainda é artificial demais na minha opinião.
O que não funciona (ainda)
Vou ser honesto: tem muita promessa exagerada nesse mercado.
Gerar produtos do zero com IA não funciona pra e-commerce. O cliente precisa ver exatamente o que vai receber. Uma foto gerada por IA de um "tênis branco" não é o seu tênis branco específico. Isso parece óbvio mas tem gente vendendo curso ensinando a criar catálogo inteiro com IA sem fotografar nada. É furada.
Outra coisa que não funciona bem: fotos de detalhes técnicos. Costura, textura do material, acabamento interno. Essas fotos precisam ser reais porque o consumidor tá justamente procurando ver a qualidade real do produto.
O futuro próximo
Minha aposta é que em 1-2 anos a qualidade dos modelos virtuais vai melhorar o suficiente pra substituir boa parte das produções fotográficas com modelos reais. Já tá quase lá pra alguns segmentos.
Mas acho que o caminho certo não é substituir a fotografia, é aumentar a produtividade. Fotografar o essencial com qualidade e usar IA pra multiplicar esse conteúdo — mais ângulos, mais cenários, mais variações. Esse é o fluxo que tá dando resultado hoje.
Se você tá gastando mais de R$ 5 mil por mês com produção fotográfica, vale muito a pena testar. Começa com a troca de fundo, que é o mais maduro, e vai avançando conforme se sentir confortável.
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